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Processos de produção, erros e acertos no design de produto

Eu quero compartilhar com vocês um pouco da minha experiência com desenvolvimento de produtos e algumas das dificuldades que são comuns e precisam ser compreendidas como partes do processo. Vou dar um exemplo de algo que ocorreu muito recentemente num produto bem simples.

Muito empolgada com a possibilidade de criar um kit de jogo americano com as minhas próprias estampas pra meu uso pessoal, eu resolvi dividir isso com os seguidores e clientes do meu Instagram no story, a fim de testar a aceitação (isso é parte do processo). E para isso eu utilizei uma simulação digital.

Como recebi um feedback positivo, fiz os cálculos, escolhi o meu fornecedor, criei os layouts e escolhi um tecido 100% algodão visando a sustentabilidade, com o objetivo de que, futuramente quando fosse descartado, ele fosse absorvido pelo meio ambiente por ser biodegradável. Muito feliz, finalizei o arquivo e mandei imprimir uma quantidade mínima de tecido apenas para os primeiros protótipos.

Mas minha empolgação começou a desaparecer quando a produção demorou mais que o previsto devido à quarentena, e quando por fim o fornecedor postou nos Correios, as entregas em São Paulo foram interrompidas devido à greve dos entregadores. O que demoraria menos de um mês, só chegou às minhas mãos praticamente 2 meses depois do dia em que fechei meu pedido e uns 3 meses depois de eu ter lançado a ideia no meu story.

Quando o tecido chegou eu já estava bastante chateada, mas rapidamente dei andamento à produção dos jogos americanos. Eles ficaram tão lindos! E minha empolgação voltou. E poderia finalmente realizar a produção em quantidade maior e atender a quem já havia se manifestado para adquiri-los.

Mas faltavam alguns testes. E o primeiro deles foi a lavagem. Eu precisava saber se a tinta não iria desbotar. Por sorte lavei apenas uma delas, e quando saiu da máquina eu tive vontade de chorar. Ela havia encolhido cerca de 3 centímetros. E acreditem, isso mudou tudo. Pois o que eu havia programado veio por água abaixo.

O processo escolhido como impressão de estampa localizada me permitia definir milimetricamente as medidas e proporções do produto final, por se tratar de impressão digital. E isso foi comprometido com o encolhimento, pois ele não ocorreu proporcionalmente na vertical e horizontal. E obviamente não é possível distorcer a arte original tentando adaptar à porcentagem de encolhimento do tecido, até mesmo porque isso pode variar de acordo com o lote. Da mesma forma, eu não poderia produzir o layout com uma margem maior em porcentagem sem ter certeza que após o encolhimento, a estampa permaneceria com a aparência padronizada para todos os itens.

Embora soubesse que algodão encolhe, – afinal eu já trabalhei em confecções cursei tecnologia têxtil pelo Senai, – eu acreditei que aquele tecido já era lavado antes da impressão digital ser realizada – sim, fui irresponsável por não questionar. Minha empolgação falou mais alto. Por um momento culpei o fornecedor, que deveria deixar isso claro antes da venda (sim, eu já o contatei e expus minha experiência negativa).

Mas por fim, depois de muito lamentar, eu me recordei de quem eu sou.
Sou uma designer de produto. Eu estudei 4 anos para isso, como poderia esquecer da minha própria responsabilidade? Quando estamos fazendo algo novo, sempre existe a possibilidade de algo dar errado. Embora haja infinitos jogos americanos no mundo, o meu está sendo feito através dos meus processos. E portanto, é um caminho ainda não percorrido por mim. Dar errado faz parte do processo para dar certo.

E foi muito bom que isso tenha acontecido, pois fez com que eu reavaliasse minhas escolhas. Até que ponto eu preciso fazer de algodão? O algodão realmente seria uma escolha sustentável ou eu novamente me deixei levar pela empolgação? Eu preciso fazer mesmo os jogos americanos? Bem, eu vou responder tudo isso em outros textos.

Mas o que eu quero dizer por agora é que não devemos desistir daquilo que está aparentemente dando errado, pois é através dos erros que aprendemos o caminho para os acertos. Principalmente nos processos de produção de arte, design, artesanato, moda etc.

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