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Perséfone: Luz, sombra e renascimento

Obra "Perséfone" original, aquarela sobre papel

A inspiração

Quando fiz um curso de desenvolvimento pessoal que tinha como base a relação entre os arquétipos das deusas da mitologia grega e a psique feminina, passei a compreender melhor aspectos da minha própria personalidade. ⁣

Esse estudo abriu as portas para aprofundar meu autoconhecimento e também expressar através da minha vida e arte alguns desses arquétipos. Embora as deusas sejam mitos, de acordo com Carl Jung, elas fazem parte do inconsciente coletivo e portanto, estão dentro de cada ser humano. ⁣

Intuitivamente decidi ilustrar a querida Perséfone, e dessa forma me senti encorajada a falar um pouco mais sobre este arquétipo que eu considero um dos mais enriquecedores entre as deusas. Em tempos cheios de incertezas como os de hoje, acredito que Perséfone é um símbolo fortíssimo que pode trazer grandes aprendizados.⁣

Por isso, criei uma série de 6 posts através dos quais eu apresento minha mais recente obra, embora singela, repleta de significados (aqui está tudo em uma única página seguindo a sequência da publicação original no Instagram)

Tanto ela como as publicações demandaram o tempo necessário para amadurecer. Não poderia ser diferente disso, já que Perséfone é aquela que ensina a paciência e a sabedoria de saber esperar, aceitar nossas próprias sombras e aprender com elas o caminho do renascimento.⁣

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O que é arquétipo:⁣
Arquétipos são símbolos que integram o inconsciente coletivo desde o início dos tempos, que são capazes de interferir, por padrão, na percepção, sentimentos e ações das pessoas, sem que elas percebam, por se tratarem de comportamentos inatos, herdados geneticamente (ou da filogenética – por Jung).⁣

Segundo Jung, todos os arquétipos existentes fazem parte da psique humana. Porém, somente alguns deles são ativados no decorrer da vida. ⁣
Quando um arquétipo é ativado propositalmente em nossa psique, ele passa a interferir em nosso comportamento.⁣

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Você já tinha ouvido falar em arquétipos?⁣


Arquétipos das deusas e a psique feminina.

Conhecer as deusas que habitam a psique feminina é uma forma de alcançar a integridade do nosso ser. Com base nesse conceito, as deusas gregas quando reconhecidas e ativadas, possibilitam o resgate da Grande Mãe dentro de cada mulher.⁣

A psicoterapeuta Jean Shinoda Bolen, em seu livro As Deusas e a Mulher, faz relação das deusas gregas com os padrões da psique feminina. Segundo ela, as mitologias fazem parte do nosso imaginário, e dentro da psique de cada mulher há os padrões comportamentais de todas as deusas. ⁣

Algumas mulheres possuem características mais ativas que outras, e isso define qual deusa está dominante em sua psique. Conhecer essas características faz com que se possa aprofundar no autoconhecimento e viver de forma mais empoderada, não tentando se encaixar em padrões sociais pré-impostos, mas sim recorrendo à força de suas deusas interiores para compreender a própria existência como única.⁣

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Identificando as sombras de Perséfone – sinais de alerta e autoconhecimento para a transformação. ⁣
Algumas características padrões de comportamento ou de histórias de vida podem podem ser sinais de que uma pessoa tem Perséfone como deusa dominante. ⁣

Identificar essas características permite que cada pessoa abrace também os ensinamentos da Perséfone madura que se tornou rainha. Conhecer as nossas sombras é a única forma de nos reconectarmos com a nossa luz.⁣

Algumas características padrões de sombra de Perséfone que servem de alerta:⁣
Ausência de foco e clareza sobre o que fazer, maleabilidade excessiva. Histórico de violências ou traumas nas duas primeiras décadas de vida (podendo ser também mais tarde). Estados de tristeza profunda, depressão ou loucura.⁣

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Você consegue identificar padrões comportamentais de Perséfone em sua personalidade?⁣


A mitologia de Perséfone.⁣

Perséfone, a deusa grega das ervas, flores, frutos e perfumes era filha de Deméter e Zeus. Foi raptada por Hades, o deus do mundo inferior, que desposou-a e tornou-a sua rainha.⁣

Sua mãe Deméter, deusa da agricultura, vagou desesperada procurando por sua filha desaparecida. Sua dor foi tão profunda, que ela abandonou as plantações e amaldiçoou o solo, gerando infertilidade escassez para as muitas populações.⁣

Temendo pela decadência da agricultura diante da revolta de Deméter, Zeus pediu a Hades que devolvesse sua filha. Porém, antes de libertá-la, este ofereceu sementes de romã a Perséfone, que as ingeriu espontaneamente. Isso era sinal de que ela não rejeitava totalmente o marido e o reino inferior, e portanto, não poderia ser devolvida.⁣

Diante disso, Zeus fez um acordo com Hades, no qual Perséfone permaneceria no reino inferior por 4 meses do ano e nos demais estaria junto de sua mãe. Por isso, segundo a mitologia, o inverno representa a tristeza de Deméter por estar longe de sua filha, e nos demais meses, quando ela retorna, ela se alegra e os campos florescem. ⁣

Perséfone passa por um processo de amadurecimento, deixa de ser a jovem vulnerável e assume seu papel de rainha o inferno, onde passa a acolher e guiar as almas dos mortais que lá chegam e a ela recorrem.⁣

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Mais do que parte da mitologia, Perséfone é um arquétipo de flexibilidade e aceitação dos ciclos. Esse arquétipo, juntamente com o de outras deusas, foi citado em publicações de Carl Jung e mais recentemente foi objeto de estudos da psicoterapeuta Jean Shinoda.⁣


Processo de transformação

Perséfone é um arquétipo de deusa rico em aprendizados e se manifesta em duas principais fases: a jovial, enquanto Koré, leve, despreocupada, vulnerável e frágil. ⁣

E na segunda fase, manifesta-se como a poderosa e temida rainha do mundo inferior, que adaptada e amadurecida, passa a acolher e guiar as almas dos mortais que se perdem no inferno. ⁣

Essa deusa passa por um processo de transformação doloroso, mas que a torna mais forte. Por isso mesmo, é um arquétipo de adaptação aos ciclos, de um ser capaz de viajar entre os mundos, adaptar-se e aceitar a impermanência. ⁣

Assim como todas as deusas, Perséfone tem sua luz e sua sombra. Porém, até mesmo as suas sombras são chaves para sua própria expansão. ⁣

Observação:⁣
Embora eu não tenha propriedade para afirmar isso, acredito que apesar das referências utilizarem o termo “mulher” e “feminino”, os mitos estão dentro de todos os seres humanos, independente de gênero. Dessa forma, podem se beneficiar e se apossar desse arquétipo todas as pessoas que se sintam conectadas a ela, bastando para isso se identificarem.⁣

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Características da Perséfone amadurecida que trazem ensinamentos para a transformação pessoal.

1- Capacidade de renascer
Não importa o que aconteça, sempre é possível renascer.
Perséfone simboliza a primavera nos ciclos femininos, e por isso tem alma jovem. Ela pode ser reativada na mente de uma mulher após períodos de dor, perda, loucura e depressão, levando-a a florescer, se abrir para as mudanças e renascer.

2- Paciência e receptividade para o imprevisível
Nem sempre é possível prever ou controlar os acontecimentos. Perséfone ensina a respeitar o tempo, a permitir que as coisas sigam o fluxo, amadureçam ou manifestem mudanças para então decidir o que fazer, ao invés de agir e fazer algo acontecer a qualquer custo.

3- Receptividade ao outro
Relacionar-se requer flexibilidade e aceitação do outro.
Perséfone tem a capacidade de observar, interpretar e aceitar as pessoas. É flexível, acolhedora, capaz de identificar e as necessidades do outro.

4- Autoaceitação e autoamor
É preciso ser paciente e amorosa consigo mesma.
Perséfone é paciente com seus próprios ciclos, limitações e seus momentos de improdutividade. Ela sabe que é cíclica respeita suas alterações hormonais e as momentâneas pausas da vida. Ela não se culpa por não atender expectativas ou metas de alta produtividade quando seu corpo e mente manifestam a necessidade de recolhimento.

5- Intuição e conexão com a espiritualidade
A intuição é um caminho para a sabedoria.
A Perséfone amadurecida é intuitiva e conectada com os mundos paralelos, desenvolvendo capacidades místicas e percepção extra-sensorial apurada. É corajosa, não teme o desconhecido, não teme as trevas, e por isso mesmo navega por elas com confiança e destreza.

6- Compaixão e acolhimento
Alguém que vivenciou seu próprio inferno sabe enxergar o sofrimento do outro e tem poder de ajudar a atravessá-lo também.
Perséfone foi levada ao mundo inferior contra sua vontade. Após adaptar-se, voltou seu olhar piedoso para aqueles mortais que lá chegavam, e como a rainha do inferno, usou sua experiência para iluminar e guiar os que ainda estavam perdidos em seus próprios infernos.

7- Autorresponsabilidade
Transição de vítima para senhora do próprio destino.
Perséfone passa por vários ciclos como uma vítima, até por fim amadurecer e assumir a responsabilidade por sua própria vida. Nesse ponto, já não há mais culpados para as suas dores. Ela assume a postura de rainha do seu inferno e ao invés de vítima, passa a ser senhora do seu destino, e dessa forma se vê forte o suficiente para ajudar outras pessoas que passaram pelos mesmos tipos de vivências.


A obra

Beneficio-me da liberdade poética para expressar a minha própria percepção do mito, através da representação artística e minha experiência individual com este lindo arquétipo.⁣

A imagem apresenta Perséfone no seu ciclo amadurecido e que, abandonando sua postura infantil e vitimista, assumiu seu posto de rainha do mundo inferior. ⁣

Uma mulher de olhar misterioso, puro e acolhedor. Um olhar compassivo de quem vivenciou experiências dolorosas, mas foi capaz de transcendê-las sem perder a ternura. ⁣

Com um véu negro cobrindo a cabeça em sinal de recolhimento em seu próprio mundo, trajando um vestido cuja tonalidade lilás representa sua natureza intuitiva e ligação com a espiritualidade. Segura em uma das mãos uma romã, simbolizando a aceitação das próprias sombras.⁣

Na outra mão, um ramo de orquídeas representando o florescer da primavera e a capacidade de renascer após o período vivenciado no inferno. Embora a flor citada na mitologia seja o narciso, utilizei as orquídeas por sua ligação com a espiritualidade, a perfeição, a beleza e a fertilidade que representam.⁣

A atmosfera escurecida num fundo verde-musgo é levemente iluminada pela aura violeta que emana de sua cabeça, representando a luz de cura que utiliza para guiar os mortais que se perdem no mundo inferior.⁣

“Perséfone: luz, sombra e renascimento” – Denise Bruno – Jul2020⁣
Grafite e aquarela sobre papel – 30x42cm⁣

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Neste momento de grandes transformações planetárias, onde tantas pessoas mergulharam nas profundezas do mundo inferior, entregando-se à tristeza, desesperança, depressão, arquétipos como este podem fazer muita diferença.⁣

O inferno é um estado de consciência. Entramos nele porque muitas vezes, é a única forma de nos abrirmos para a busca de respostas sobre a existência e o despertar de consciência.⁣

Uma vez que encontremos essas respostas, nos reconectamos com a nossa essência, reconhecemos nossa responsabilidade diante da vida e até mesmo descobrimos a nossa missão de alma. ⁣

Assim, podemos renascer de nós mesmos e viver sob o aspecto mais elevado do nosso ser.⁣


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